nós somos cinco. eles são muitos.

Quinta-feira, Julho 09, 2009

postal para um bronzeado à ciclista

sabes, houve uma cadeira que eu achei que era a certa. era ambiciosa, aberta, nobre e humana. pensei por momentos nessa pequena ilusão: ia ser nela que eu me iria realizar. passados uns dias veio aquele sinal que acho que ficou para sempre — aquele sinal onde a nossa estória começou sem nós suspeitarmos sequer. e nesses três dias eu vi o outro lado, aquela face que me levava a querer ultrapassar-me, explodindo em homens e mulheres que saltavam e cantavam e dançavam e faziam-nos saltar e cantar e dançar com eles. percebi no fim desse tempo que o que tinha no início era um afecto por uma memória, não por uma cadeira. era um passado que já tinha falhado. já te disse, essa marca persegue-me sempre (e por isso sempre que passo a ponte e vejo ao longe aquela subida com o sino no cimo e imagino aquele pátio fico arrepiado). acho que quando entrei na sala trazia isso na cara e ninguém quis ver. acho que trago isso ainda. vou ouvir aquele disco hoje, da dez à onze, sem parar. pensar que foi assim que o futuro deu um primeiro passo — pensar que foi assim que começámos a caminhar. às vezes tem graça olhar para trás.

0 comentários:

águas passadas